Há algum tempo eu quis escrever aqui sobre o Sítio do Pica Pau Amarelo. O ano passado foi o centenário de Monteiro Lobato e na época em que adquiri a televisão um dos primeiros programas ao qual assisti foi o Sítio - remodelado, pois as narizinhos, emilias e pedrinhos de minha época cresceram e tia Nastácia e Dona Benta que conheci já estão encantadas. O fato é que a história de Monteiro Lobato é tão mágica que mudam as carinhas, os atores, os cenários, mas a magia continua lá. Intacta. E voltei, por algum tempinho daquela manhã, ao meu deslumbramento de criança com a fantasia. Mais que apenas lembrança. Hoje, precisava caminhar. Em meio as atividades que a vida adulta nos impõe, dei-me o presente de sair sem saber para onde ir, com dois reais na carteira, a fim de encontrar algumas respostas... Eis que Monteiro Lobato e o Sítio atravessam novamente meu caminho. A biblioteca em homenagem ao escritor fica praticamente em minha rua e despretensiosamente cheguei até ela. Nunca havia entrado, apesar de passar diariamente na frente do parque que a abriga. Desta vez entrei, quase que chamada pelo caminho. Não sei porque fiquei tão surpresa ao deparar-me com a exposição em homenagem a boneca Emília, já que estava em sua casa. O encantamento da criança voltou antes de atravessar as colunas vermelhas da entrada? Provável. Entregue à magia, usufrui os detalhes e belezas daquela montagem. Com um olhar que não consigo definir. A exposição apresenta desenhos de diversos ilustradores e avisa sobre as diferentes formas e rostos que Emília já teve. Sem esquecer que Emília é boneca de pano que, não se sabe como, começou a falar. ... Registrei algumas imagens com o celular e em papel improvisado colhi algumas das frases da exposição. O quadro de apresentação, ao entrar na biblioteca, ressalta como é bonito ver o casamento da imagem com a palavra. Certamente uma das magias das histórias de Lobato, mesmo que as imagens estejam tão somente na nossa imaginação.
"Aves marinhas! Vem vindo em nossa direção uma gaivota! Também estou vendo pedaços de paus e ramos de árvores flutuando - sinal de terra próxima. Mas que terra será, meu Deus?" Emília
"Oh não! Sou inimiga do tamanho. Acho que as coisas quanto mais se aperfeiçoam, menores ficam." Emília
"Chega por hoje. Quem quer aprender demais acaba aprendendo nada. Estudo é como comida, tem de ser a conta certa. Nem mais nem menos. Quem come demais tem indigestão." Dona Benta
"Se tudo na vida muda, porque as palavras não haveriam de mudar? Até eu mudo! Quantas vezes não mudei esta carinha que a senhora está vendo?" Emilia






