"Disciplina é liberdade . Compaixão é fortaleza . Ter bondade é ter coragem."
Pensei em algo para escrever sobre este ano, mas ando tão distante das palavras e da escrita que me perco só de pensar em escrever este texto. Mas, este ano merece, pois não foi um ano perdido, definitivamente. Dois mil e nove foi o ano em que me encontrei novamente. Com a conquista de um espaço só meu e cheio de inimagináveis ensinamentos que não ousaria sonhar que existissem. Impossível descrevê-los, pois são detalhes do dia-a-dia, tão comuns e despercebidos a olhos que estejam acostumados com eles. Para mim foi tudo novidade. Cuidar de uma casa, dar a minha cara a cada detalhe, cada pingentinho, flor, vela, incenso. Cortina, pinturas em parede, telas já tão familiares que transformaram este lugar em meu espaço. Foi uma descoberta da minha identidade, do meu ritmo, do meu passo, da minha existência. Morar só traz tantos cheiros, sabores e sentimentos novos que a gente se descobre - co - ti - di - a - na - men - te - diferente do dia anterior. E, neste ano, não mudei só de casa. Mudei de emprego, mudei de rumo, mudei os caminhos, mudei a condução, mudei amizades, mudei o cabelo, mudei meu corpo, mudei os brincos, mudei a alimentação, mudei de hábitos, mudei as músicas, mudei de amores, mudei a iluminação. Transformações que vou levar para o resto da vida, que me trouxeram um novo eixo e que impuseram - de - li - ca - da - men - te - novos limites e disciplinas tão bem-vindas que não tenho mais como reclamar completamente das tais regras, mesmo que ainda se prestem a serem quebradas. Quebrei contratos que eram para a vida toda, quebrei contratos de trabalhos temporários, quebrei rotinas, quebrei cumplicidades. Mas também fiz novos acordos. Acordos comigo mesma, acordos com antigas amizades, acordos com saudades e libertei a minha alma, acordos com uma nova paisagem, acordos com a minha cidade. Destitui as convenções para dar espaço para o novo. E deixei a casa toda perfumada e colorida para ele entrar. Fiz novos amigos, descobri novos lugares, chás, especiarias e culinárias nas invenções improvisadas com “o que tem na geladeira”. Percebi que é possível viver com menos, bem menos e hoje tenho muito mais. Ainda há muito o quê fazer. E dois mil e dez vem cheio dessa energia. Do fazer, do movimento. Cheio de novos sonhos e planos. O fato de não escrever mais tanto tem tanto a ver com essas mudanças que não foi um incômodo. Foi um alívio. Aprendi como nunca com o silêncio e aprendi a acolher as vozes da minha alma. Boas e más, santas e loucas. Vivi mais comigo mesma para aprender a viver melhor com amigos, pais, irmãos, vizinhos. Vizinhos deste meu caminho que começa a encher-se de pequenos brotos de uma nova vida. Revi antigos amigos e acolhi os novos como antigos. Conquistei novos amigos amores eternos. Termino o ano, depois de muitos obstáculos superados, de muitas retomadas de fôlego, com o pulmão cheio do ar fresco da esperança. Foi um ano tão transformador e cheio de mudanças que não consigo precisar quantas vezes ele começou e terminou. Dois mil e nove não tem rótulo, nem redoma, nem tempo real. Veio para ficar como o primeiro, entre tantos outros primeiros, do resto da minha vida.
"um fragmento do tempo, dessa vida tão breve.
O amor permanece."

3 comentários:
Clarissa, ótimo texto e lindo ele também. Conseguiu sinteizar como foi seu ano em algumas linhas.Hoje, que resolvi também reativar meu blog, descobri novamente o seu. Neste ano, quero descobrir muitas coisas novas também, que sei que são essenciais para mim. Continue assim. Bjos1!!
obrigada, Chuchu! Finalzinho do ano passado ainda, dei uma olhada no seu blog e senti falta de textos novos. que bom que voltou. bem-vindo! Que venham as novas descobertas e delicadezas. Beijos!
muito bacana os seus espaços.
bom tê-los encontrado.
voltarei, sim.
beijo,
m.
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