Fui a uma bienal - não lembro o ano - que trazia instalações e obras de Louise Bourgeois. Fiquei impressionada como elas falavam - algumas aos gritos, outras em sussurros e outras, ainda, em silêncios. Entre as obras da artista estava a gigantesca aranha que fica desde então no MAM, lá no Ibirapuera. Mas havia uma instalação que nunca mais vi, embora volte latente neste momento à minha lembrança. Louise pendurou roupas suas em diversos cabides - camisolas, vestidos, peças íntimas - em uma espécie de "despir-se". Lembro que havia algo de entrega e de abandono de porções que não lhe cabiam mais. Desfazer-se, com carinho e respeito, de parte da bagagem. Lembro ter sentido cheiro de morte naquela obra da artista. Mas hoje penso nela com mais leveza ... Descrever em palavras tal impressão é algo tão impossível e pretensioso que termino aqui este texto. As imagens falam por si. É isso.



1 comentários:
estou nesse processo: nua.
te beijo
Postar um comentário