17.1.08

ohleps E spelho

Sabe dizer obrigado e também sabe dizer Adeus.

De vindas e voltas.
De caos e bonança.
De paixões intermináveis e finitas.
De outros amores.
De brigas e pazes e vidas passadas.

Cultiva os pequenos prazeres.
Gosta do mar, de asfalto e da lua.
Responde a estímulos musicais com encanto.

Combina a janela aberta ao edredom.
Com os pés descobertos.
Sabe bem por onde caminhar.

Ao lado do imprevisível, é claro.
Entre passos e revoadas.
Ao lado do imprevisível, é claro.

Sabe bem por onde caminhar.
Com os pés descobertos.
Combina a janela aberta ao edredom.

Responde a estímulos musicais com encanto.
Gosta do mar, de asfalto e da lua.
Cultiva os pequenos prazeres.

De brigas e pazes e vidas passadas.
De outros amores.
De paixões intermináveis e finitas.
De caos e bonança.
De vindas e voltas.

Sabe dizer Adeus e também sabe dizer obrigado.

8.1.08

Uma oração

"Quero uma oração que seja pessoal, não herdada." (Jorge Luis Borges)
Que as dores me tragam para o chão. Mas os prazeres de viver e da arte me levem novamente às alturas. Que eu possa conhecer lugares diferentes e veja outros, que já fazem parte do caminho, apresentarem-se novos. Quero ser apresentada a sabores, mesmo os que já conheço, sob um olhar diferente do meu e descobrir novos aromas, novos amores, novas cores, novos sons. Entregue ao imprevisível, compartilhar sorrisos e risadas, súplicas e choros. Sempre que for preciso, que eu possa ter o direito de chorar. Deixar as lágrimas correrem mais soltas para ajudar na limpeza da alma. Mas seja garantido o direito de sorrir muito e rir também, inclusive dos problemas. Que eu perca o controle que nunca tive sobre muitas coisas e situações. Aceite mais os erros, meus e dos outros, abra espaço para o perdão, meu e dos outros. E, se sofrer, seja acolhida, e possa acolher também sofrimentos que não vivo. Sem julgá-los. Renuncio ao medo, exponho a alma e curo as feridas. Espanto fantasmas para descobrir pessoas. E se reencontrar outras, que seja sempre por um novo olhar. Que eu tenha a graça de conhecer outras realidades, viver novas histórias, entrar em outros mundos. Com pausas na busca para que eu reconheça a paz. Incorporada na transformação, morra e renasça constantemente, mas também sinta o eterno. Que eu tenha a dádiva de ver que o que há de mais valioso para se viver reside nos “pequenos” momentos. E tudo isso, sempre, com uma Fé tão enorme que eu não a reconheça. Simples assim.

6.1.08

Leão desperto

A menos que você abandone a sua personalidade, você não será capaz de encontrar a sua individualidade. A individualidade é dada pela existência; a personalidade é imposta pela sociedade. Personalidade é conveniência social. A sociedade não pode tolerar a individualidade porque a individualidade não acompanhará o rebanho, como uma ovelha. A individualidade tem a natureza do leão: o leão move-se sozinho. As ovelhas estão sempre em rebanho, na esperança de que estar em grupo será aconchegante. Em meio à multidão, o indivíduo sente-se mais protegido, seguro. Se alguém atacar, na multidão há todas as possibilidades de você se salvar. Mas, e estando só? -- apenas os leões andam sós. Cada um de vocês nasceu leão, mas a sociedade está sempre condicionando, programando a mente de vocês como ovelhas. Ela lhes imprime uma personalidade, uma personalidade agradável, simpática, muito conveniente, muito obediente.A sociedade quer escravos, não pessoas que sejam absolutamente dedicadas à liberdade. A sociedade quer escravos porque os interesses estabelecidos querem obediência.
Osho One Seed Makes the Whole Earth Green Chapter 4

Comentário:
Esta carta lembra uma antiga história Zen a respeito de um leão que foi criado por ovelhas, e pensava que era uma delas, até que um velho leão o capturou e o levou até um lago, onde lhe mostrou o seu próprio reflexo. Muitos de nós somos como esse leão -- a imagem que temos de nós mesmos não advém da nossa própria vivência direta, mas das opiniões dos outros. Uma "personalidade" imposta de fora substitui a individualidade que poderia ter se desenvolvido de dentro. Nós nos tornamos apenas mais uma ovelha no rebanho, incapazes de nos movermos livremente, e inconscientes da nossa verdadeira identidade. É hora de dar uma olhadela no seu próprio reflexo no lago, e de tomar a iniciativa de libertar-se do que quer que lhe tenha sido imposto como condicionamento pelos outros, com o objetivo de fazer você acreditar em qualquer coisa a seu respeito. Dance, corra, mexa-se, fale uma língua inexistente -- tudo o que for necessário para acordar o leão adormecido dentro de você.

Carta de (para) um amigo

O que se me apresenta agora é o passado. Hei de conseguir vê-lo bem nítido e conseguir que Deus também o veja assim. E não mo seria possível abandonando-o ou desprezando-o; não posso exaltá-lo nem renegá-lo. Devo, ao contrário, considerá-lo parte integrante da evolução de minha vida e de minha natureza e curvar a cabeça ante tudo o que sofri. Como ainda me distancio da verdadeira serenidade, demonstrar-te-á claramente esta carta, com seus hesitantes e variáveis estados de alma, seu desprezo e azedume, suas aspirações e a importância de transformá-las em realidade. Mas não te esqueças de como é terrível a escola em que me vejo sentado em frente à minha tarefa. Por imperfeito e incompleto que eu seja, muito poderás ainda aprender comigo. Quiseste que eu te inciasse no prazer de viver e no prazer da arte; talvez esteja eu destinado a ensinar-te uma coisa muito mais preciosa: a valia e a beleza da dor. teu amigo que te quer, oscar wilde.

Páginas