22.12.05

O Perfume Prevalece


Prevalece o perfume da rosa
Temperamental e voluptuosa
A escorregar por estes caminhos
Da doce vida dos artistas
Que se estendem em ninhos de poesias
Escritas em noites vadias
E fazem-me sentir o toque da lua nua
Minha estrada se confunde com a tua
Cria-se uma extensa magia
Dos que pintam e bordam palavras
Em versos, rimas ou prosa
Marcam a biografia da alma que fala
Filosofia de quem nunca se cala
Deixam rastros de flor pelas ruas
E Quando passo ao clarão da branda lua
Não ando, flutuo
Não escondo, revelo
Não sou espinho, sou rosa
Temperamental e voluptuosa

(Foto: Fernando Belletti)

20.12.05

Quando Existir é Ser Artista

13.12.05

Janela da Alma

"O meu olhar é nítido como um girassol. Tenho o costume de andar pelas estradasOlhando para a direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança se, ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo..."
Alberto Caeiro


Nestes tempos em que a informação gira em um piscar de olhos, perdemos o olhar. Aquele tipo de olhar despretensioso, aquele olhar que não procura, mas muitas vezes acha o que ver, aquele olhar ingênuo, o olhar que olha sem julgar, olha sem buscar, sem intenções. O olhar que revela, não o que espreita. O olhar, nestes tempos modernos, é velado e se revela algo, ou assusta, ou deslumbra e, muitas vezes, afasta.

Alguém apaga a luz, por favor?

Quando não queremos ver algo, cerramos os olhos. Mas, ledo engano. O ato de cerrar os olhos é sinal de que o indesejável já foi visto. Pior ainda quando cerramos os olhos da alma. Aí vemos sem enxergar. Por medo, por dor, por insegurança, por preguiça... Então, viramos poesia: o tempo passou na janela e só Carolina não viu... Se a janela da alma estiver cerrada, nossa vida não é nada e nossos olhos não passam de duas esferas petrificadas.

Sabe quando acendem a luz e o olho dói?

11.12.05

Ritmo e Disritmia

Música aroma amor
Paz alegria pulsação
Simbiose calor ardor dom
Som perna mão bateria
Som coração
Coração vigor amor
Sensação dom dor
Ritmo...
Tum tum tumtum tum tum...
Disritmia
Canção afinação explosão harmonia
Sã loucura cor
Partícula reticula ardido suor
Suor soma são dois um só
Ritmo
Tarararararararararararara....
Disritmia




Tela e Poema do projeto Telas Temas e Poemas, que une 14 telas a textos e poemas. (Todos os direitos reservados à autora pela B.N.)
(Foto: Fábio Reginato)

Magia da desconstrução


Decomponho-me quando o outro já não existe e o grito não tem som... Mas, nesses momentos a inspiração de repente me toma de uma forma colossal, pinto como nunca, escrevo sem parar, e começo a compor... enquanto a decomposição toma meu íntimo concretizam-se formas, cores e palavras. E começa a contradição da desconstrução. Algo se cria fora enquanto se morre por dentro. É um processo mágico... Atiro-me entrego-me à criação, em uma morte-vida entre respiração e apnéia... Nesses momentos não estou por um triz... Estou absorta, entregue, despreocupada pois tantas são as possibilidades! Sangue quente carmim corre nas veias e paixão é o que sinto. Momento de dor, amor, calor e paixão... Por vezes é sofrido, mas lindo e rico ao mesmo tempo... quando passa e renasço, sinto falta, quero mais... Volto a ficar a deriva, ai sim, por um triz... sem inspiração e sem paz...


Ao amado Alskander Rednaksla e seus infinitos insights que levam a maravilhosas criações... http://www.tornarvisivel.blogspot.com/

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