"O meu olhar é nítido como um girassol. Tenho o costume de andar pelas estradasOlhando para a direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança se, ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo..."
Alberto Caeiro
Nestes tempos em que a informação gira em um piscar de olhos, perdemos o olhar. Aquele tipo de olhar despretensioso, aquele olhar que não procura, mas muitas vezes acha o que ver, aquele olhar ingênuo, o olhar que olha sem julgar, olha sem buscar, sem intenções. O olhar que revela, não o que espreita. O olhar, nestes tempos modernos, é velado e se revela algo, ou assusta, ou deslumbra e, muitas vezes, afasta.
Alguém apaga a luz, por favor?
Quando não queremos ver algo, cerramos os olhos. Mas, ledo engano. O ato de cerrar os olhos é sinal de que o indesejável já foi visto. Pior ainda quando cerramos os olhos da alma. Aí vemos sem enxergar. Por medo, por dor, por insegurança, por preguiça... Então, viramos poesia: o tempo passou na janela e só Carolina não viu... Se a janela da alma estiver cerrada, nossa vida não é nada e nossos olhos não passam de duas esferas petrificadas.
Sabe quando acendem a luz e o olho dói?